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Carnaval Feito à Mão

Por Rosy MacQueen

Na Mega Artesanal 2018 teve uma exposição de bonecas assinadas por mulheres de muito talento – entre elas as ógenters Ana Matusita, Patrícia Nakamura, Thaís Kato e Ana Luísa Maisonnave. Eu estava especialmente encantada com os detalhes cheios de capricho da “Carmen Diva Miranda”, boneca da Kátia Callaça. Questionando a autora sobre o acabamento, o sapatinho, a mistura de materiais, ela resumiu “trabalhei em escola de samba, né?!” Aha, isso explica algumas coisas, não é mesmo? Aqui vamos contar um pouco mais sobre a experiência carnavalesca dessa ógenter multitalentos que é a Kátia.

Ícones do Carnaval Carioca

Formada em Belas Artes pela UFRJ, Kátia se considera uma pessoa de sorte por ter estudado na época em que o cenógrafo e carnavalesco Fernando Pamplona foi reitor da EBA. Kátia era aluna da Rosa Magalhães, que foi de um pioneirismo ímpar, por ser uma mulher carnavalesca.
“Na época do Fernando Pamplona a EBA só tinha fera. Fiz aulas com Beth Filipecki (figurinista), Ronald Teixeira (diretor de arte, cenógrafo e figurinista), Lygia Pape (escultora, gravadora e cineasta), só gente muito boa que era docente por lá, e isso foi muito enriquecedor para a minha formação.”
Kátia também carrega com muito orgulho em seu currículo uma palestra que o lendário Joãosinho Trinta fez dentro da EBA. A frase do carnavalesco ‘O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelecual ’ foi marcante. “Aqueles carnavais espetaculosos que ele fazia era para isso. A gente quer ver a beleza porque com a “brabeira” a gente já está agarrado no dia a dia (risos).”
Para Kátia esse é o grande significado do carnaval: é o nosso momento de estrela e de glamour, porque gostamos e precisamos dessa fantasia.

Entre plumas e paetês

As escolas de samba capacitam e empregam muita gente, principalmente no Rio de Janeiro, gerando trabalho para costureiros, artesãos, sapateiros entre outros. É como uma indústria, onde os diversos afazeres geram emprego e fomentam a economia do estado inteiro.
Quando Rosa Magalhães abriu a oportunidade de estágio no barracão para seus alunos, a universitária Kátia não perdeu tempo! É um local para fazer de tudo, trabalhar com todos os materiais e se envolver com projetos de profissionais que eram autoridade no carnaval do Rio de Janeiro.
A passagem pela escola de samba foi rápida mas enriquecedora. Kátia descreve o ambiente do barracão como encantador, um lugar que possibilita estar com a mão na massa onde a magia acontece.
A professora Rosa direcionava todo o trabalho e os estagiários faziam a supervisão da mão de obra dos artesãos, entre muita costura, cola quente, cola de contato, aviamentos, papelão, espuma e papel machê. “A gente tinha a função de direcionar o que precisava ser feito e corrigir qualquer eventual falha, porque a Rosa era bastante exigente no acabamento”, lembra. Com certeza Kátia traz consigo esse olhar atento, pois seu trabalho é permeado pelo lúdico nos mínimos detalhes, com um acabamento para Rosa Magalhães não botar defeito!

Faça você mesmo

Buscar uma experiência como essa em escola de samba é a dica da Kátia para quem curte diferentes técnicas manuais, não tem medo de trabalho e gosta de samba! “Tem que ir pra lá porque é bem legal! Foi uma experiência pessoal muito enriquecedora e muito bacana. Hoje tudo está muito facilitado porque tem vários blocos que estão indo para a rua, então tem gente trabalhando, fazendo adereço, vendendo, e para quem gosta de fazer arte no geral acaba sendo um lugar legal para estar.”
E você, qual tal se aventurar a criar algo para este carnaval?

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